O caso BPN explicado às crianças

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Como se explica o Caso BPN às cianças
Como se explica o Caso BPN às cianças

“Um ex-primeiro ministro e ex-candidato a Presidente da República entra num banco e pede para comprar acções. Como o banco não está cotado em Bolsa, é o presidente da instituição que decide qual o preço da venda. Por acaso, foi seu secretário de Estado. E por acaso, fez parte da sua comissão política nacional no partido.

O presidente do banco olha para o antigo chefe do Governo, político respeitado e eventual futuro Presidente da República e decide o preço da venda: por acaso é o preço mais baixo de todo o ano de 2001 e fica metade abaixo da média de venda do ano.

Em 2003, o ex-primeiro ministro decide vender as acções. Vai novamente ter com o seu ex-secretário de Estado e propõe-lhe o negócio. O antigo colaborador, que vendeu as acções abaixo do preço do mercado, volta a comprá-las por um valor 140% mais elevado – ou seja, com o negócio o ex-primeiro ministro ganha 147.529,20 euros.

Dois anos depois, o ex-primeiro ministro candidata-se novamente à Presidência da República e ganha as eleições. Uma das pessoas que convida para o seu Conselho de Estado é um antigo accionista do banco. Durante todos estes anos nunca explica o extraordinário negócio.

Os portugueses têm uma regra sagrada: não exigir explicações aos outros, com medo de que alguém lhes exija alguma coisa a eles.”

Gonçalo Bordalo Pinheiro
“Sábado” de 14 de Janeiro de 2011

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