Triângulo das Bermudas: Grampus, o navio Anti-Pirata

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Grampus, o heróico navio
Grampus, o heróico navio

A 15 de Março de 1910, o rebocador dos Estados Unidos Nina partiu de Norfolk Navy Yard. Dirigia-se a Havana, em Cuba, onde devia ser utilizado como navio de apoio durante a operação de salvamento do navio de guerra Maine. O rebocador foi visto em Savannah, na Geórgia, dirigindo-se para sul. Nunca mais se viu nem se ouviu falar nele. Foi o primeiro barco a vapor a desaparecer no «Triângulo das Bermudas».

As crónicas da Marinha dos Estados Unidos abundam em histórias de navios famosos, tal como o Constitution, Constellation, Wasp, Hornet, Bonhomme Richard, Essex, Enterprise, Monitor, Maine, Arizone, Yorktown e Missouri. Por cada navio que alcançou fama e glória há dúzias que se perderam nas páginas da história. O navio americano Grampus é um dos navios esquecidos.

A 1 de Maio de 1822, o Grampus, comandado pelo tenente H. Gregory, capturou quatro escunas piratas ao largo de Sugar Key, no estrito da Florida. A 12 de Maio capturou mais duas. A 16 de Agosto, depois de todo um dia de combate, capturou a escuna pirata Palmyra.

O Grampus capturou dois navios piratas a 22 de Maio do ano seguinte. Os piratas haviam duplicado a potência de fogo do navio. Esta acção realizou-se ao largo de Campeche, no México.

A 3 de Março de 1825, o Grampus, depois de 3 dias de caça ao longo da costa sul de Porto Rico, apanhou uma chalupa pirata que durante mais de um ano atacara navios mercantes. Esta confrontação foi uma das últimas lutas entre navios da Marinha dos Estados  Unidos e os poucos navios piratas que restavam. Navios como Grampus acabaram de uma vez para sempre com a bandeira do crânio e das tíbias cruzadas nas Índias Ocidentais.

Durante os cinco anos seguintes, o Grampus patrulhou as águas das Caraíbas e do Golfo do México defendendo os interesses americanos. Depois, a 5 de Junho de 1830, enquanto seguia a sua rota em Windward Passage, o vigia avistou uma vela suspeita ao largo do Cabo Haiton, Haiti. Uma investigação mais cuidada revelou que se tratava do brigue Fenix, há muito suspeito, mas nunca provado, de se entregar ao comércio de escravos. O Grampus deu-lhe caça e dentro em pouco alcançou o Fenix. Uma missão que foi a bordo descobriu que o brigue negociava em escravatura. Os porões iam cheios de africanos. Deste modo, o Grampus salvou mais de 300 negros de uma vida de escravidão. Espalhou-se a notícia entre os barcos que no mar das Caraíbas se entregavam ao comércio ilícito, para evitarem o Grampus.

Em 1836 foi designado para apoiar as forças terrestres durante a campanha dos índios Semínolas na Florida. A 25 de Agosto, o Grampus desembarcou um destacamento de fuzileiros navais na baía de Tampa para proteger os colonos das investidas dos índios. Defende as forças americanas na Florida, até que a campanha dos índios terminou oficialmente, a 14 de Agosto de 1842.

O Grampus patrulhou as Índias Ocidentais até 1 de Março de 1843. Nessa data, depois de 21 anos de serviços na Florida e nas Caraíbas, foi mandado regressar à pátria, a Charleston. Foi visto no seu regresso pelo Madison, ao largo de Saint Augustine, na Florida, no dia 3 de Março. Não voltou a ser visto. O Grampus, o heróico navio que se perdeu nas páginas da história, também se perdeu naquela zona do oceano que um dia seria chamado o «Triângulo das Bermudas».

Fonte: Livro “O Mistério do Triângulo das Bermudas” de Richard Winer

Índice do Triângulo das Bermudas: https://paradigmatrix.com/?p=5039

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