ONU clama por mudança global para uma dieta livre de carne e lacticínios

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Produção massiva de Lacticínios
Produção massiva de Lacticínios

Um relatório da ONU de 2010, apela a um menor consumo de produtos animais, considerando que tal é necessário para salvar o mundo dos piores impactos das alterações climáticas.

Uma mudança global para uma dieta vegana é vital para salvar o mundo da fome, da escassez de combustíveis e dos piores impactos das mudanças climáticas, afirmou um relatório da ONU. Tal decorre, na medida em que a população mundial avança para o número previsível de 9,1 biliões de pessoas em 2050 e o apetite por carne e lacticínios ocidental é insustentável, segundo o relatório do painel internacional de gestão de recursos sustentáveis do Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP).

Diz o relatório: “Espera-se que os impactos da agricultura cresçam substancialmente devido ao crescimento da população e do consumo de produtos de origem animal. Ao contrário do que ocorre com os combustíveis fósseis, é difícil procurar por alternativas: as pessoas têm de comer. Uma redução substancial nos impactos somente seria possível com uma mudança substancial na Alimentação, eliminando produtos de origem animal”.

O professor Edgar Hertwich, principal autor do relatório, afirmou: “Produtos de origem animal causam mais danos do que produzir minerais de construção como areia e cimento, plásticos e metais. A biomassa e plantações para alimentar animais causam tanto dano quanto queimar combustíveis fósseis”.

A recomendação segue o conselho de Lord Nicholas Stern, ex-conselheiro do governo trabalhista inglês sobre a Economia das mudanças climáticas. O Dr. Rajendra Pachauri, director do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCQ), também fez um apelo para que as pessoas façam um dia sem carne por semana para reduzir emissões de carbono.

O painel de especialistas categorizou produtos, recursos e actividades económicas e de transporte de acordo com seus impactos ambientais. A agricultura equiparou-se com o consumo de combustíveis fósseis porque ambos crescem rapidamente com o desenvolvimento económico, eles disseram.

Emst von Weizsaecker, um dos cientistas especializados em meio ambiente que coordenaram o painel, afirmou: “A crescente riqueza económica está a levar a um maior consumo de carne e lacticínios – os rebanhos agora consomem boa parte das colheitas do mundo e, por inferência, uma grande quantidade de água doce, fertilizantes e pesticidas”.

Lacticínios
Lacticínios

Tanto a energia quanto a agricultura precisam ser “dissociadas” do crescimento económico porque os impactos ambientais aumentam grosso modo 80% quando a renda dobra, afirma o relatório. Achim Steiner, subsecretário geral da ONU e director executivo da UNEP, afirmou: “Separar o crescimento dos danos ambientais é o desafio número um de todos os governos de um mundo em que o número de pessoas cresce exponencialmente, aumentando a demanda consumista e persistindo o desafio de aliviar a miséria e a pobreza”.

O painel, que fez uso de diversos estudos incluindo o Millennium Ecosystem Assessment (Avaliação do Ecossistema do Milénio), cita os seguintes itens de pressão ambiental como prioridade para os governos do mundo: mudanças climáticas, mudanças de habitats, uso com desperdício de nitrogénio e fósforo em fertilizantes, exploração excessiva dos oceanos e rios por meio da pesca, exploração de florestas e outros recursos, espécies invasoras, fontes não seguras de água potável e falta de saneamento básico, exposição ao chumbo, poluição do ar urbano e contaminação por outros metais pesados.

A agricultura, particularmente a carne e os lacticínios, é responsável pelo consumo de 70% de água fresca do planeta, 38% do uso da terra e 19% da emissão de gases de efeito estufa, diz o relatório, que foi liberado para coincidir com o Dia Mundial do Meio Ambiente no Sábado.

Em 2009,  a Organização de Alimentos e Agricultura da ONU (FAO) declarou que a produção de alimentos teria de aumentar em 70% para suprir as demandas em 2050. O painel afirmou que os avanços na agricultura serão ultrapassados pelo crescimento populacional

O professor Hertwich, que é também director de um programa de ecologia industrial na Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, disse que os países em desenvolvimento, onde se dará grande parte do crescimento populacional, não devem seguir os padrões de consumo ocidentais: “Os países em desenvolvimento não devem seguir nossos modelos. Mas cabe a nós desenvolver tecnologias em termos de energia renovável e métodos de irrigação.”

Felicity Carus
2 de Junho de 2010

Relatório da ONU: http://www.unep.org/resourcepanel/documents/pdf/PriorityProductsAndMaterials_Report_Full.pdf

Fonte: The Guardian

Artigo Original: http://www.theguardian.com/environment/2010/jun/02/un-report-meat-free-diet

Tradução: Portugal Mundial

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