Dados são ocultados na investigação de novos Medicamentos

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Investigação de novos Medicamentos

A saga dos dados em falta é comprida e complexa, envolvendo doen­tes que são postos em risco em todo o mundo e alguns actores princi­pais que faltaram aos seus compromissos para connosco a um nível extraordinário.

É frequente os ensaios serem realizados e não serem publicados, ficando pois inacessíveis a médicos e doentes. Só são publicados metade de todos os ensaios, e os que têm resultados negativos apre­sentam uma probabilidade duas vezes superior de não serem publica­dos em comparação com os que têm resultados positivos. Isto significa que a evidência na qual baseamos decisões em medicina é sistemati­camente enviesada de modo a sobrestimar os benefícios dos trata­mentos que prescrevemos. Como não há maneira de compensar estes dados em falta, não conseguimos saber os reais benefícios e riscos dos Medicamentos que os médicos receitam.

Isto constitui má conduta de investigação a uma escala enorme, internacional. A realidade do problema é universalmente reconhecida, mas ninguém se deu ao trabalho de o solucionar:

  • As comissões de ética permitem que empresas e investigadores individuais com um historial de dados por publicar continuem a realizar ensaios em seres humanos;
  • Os administradores de universidades e as comissões de ética auto­rizam contratos com a Indústria onde se afirma explicitamente que o patrocinador pode controlar os dados;
  • A obrigatoriedade dos registos nunca foi cumprida;
  • As revistas académicas continuam a publicar ensaios que não foram registados, apesar de afirmarem que não o fazem;
  • Os reguladores dispõem de informações vitais para a melhoria dos cuidados aos doentes, mas têm uma atitude sistematicamente obstrutiva;
  • possuem sistemas deficientes de partilha de resumos inefica­zes das informações que têm;
  • e criam obstáculos estranhos aos pedidos de mais informação que lhes são apresentados;
  • As empresas da Indústria Farmacêutica retêm resultados de ensaios que nem os reguladores vêem;
  • Os governos nunca aplicaram legislação que obrigasse as empre­sas a publicar dados;
  • Os organismos profissionais de médicos e académicos nada fize­ram.

Fonte: LIVRO: «Farmacêuticas da Treta» de Ben Goldacre

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