O amigo Kadhafi

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Kadhafi
Kadhafi

Desde que destronou o rei Idris e tomou o poder, em 1969, o coronel Kadhafi passou a combater o “imperialismo” em geral e o americano muito em particular. Nos anos 70, no auge da Guerra Fria, fez editar o ‘Livro Verde‘, uma espécie de filosofia política do regime, a ‘Jamahiriya‘ – uma trapalhada, a que ele chamava doutrina, como alternativa ao socialismo e ao capitalismo. E assim lá foi vivendo, à custa do petróleo. Inspirou e financiou o terrorismo – e foi mandante do atentado contra o avião da Pan Am.

O dono da Líbia percebeu que era melhor guardar o ‘Livro Verde‘, se quisesse sobreviver, e deixar-se de políticas anti-imperialistas. Tornou-se amigo dos inimigos. Confraternizou e negociou com Bush, Blair, Brown, Sarkozy, Berlusconi, Merkel, num carrossel mágico de interesses movido a petróleo – petróleo que ele tinha para vender e o Ocidente precisava de comprar.

Os ‘Senhores do Mundo‘ continuaram a vê-lo, obviamente, como um louco – mas como um daqueles loucos que tomam os comprimidos: aturaram-no e desculparam-lhe extravagâncias.

Quando as praças-forte das ditaduras do Norte de África começaram a dar sinais de fraqueza viram a derradeira oportunidade para se livrarem do louco – antes que ele deixasse de tomar os remédios. A defesa das populações civis é apenas uma formalidade. O pretexto é, uma vez mais, o petróleo.

Por: Manuel Catarino no Correio da Manhã
23 de Março de 2011

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