Padres proletarizados mantêm salário mínimo garantido

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Salários dos padres
Salários dos padres

Longe dos tempos em que ganhavam em função da generosidade dos fiéis, os padres têm agora uma relação de trabalho convencional e em algumas dioceses a ‘proletarização’ dos sacerdotes vai ao ponto de se estabelecer um salário mínimo garantido.

É o caso da diocese de Aveiro, onde nenhum dos 65 padres responsáveis por um total de 101 paróquias aufere menos de 620 euros, conforme explicou à Lusa o responsável pelo Fundo de Compensação do Clero (FCC), o padre Alberto Nestor.

“Trata-se de uma medida que vai no sentido de dar alguma justiça às remunerações”, sublinhou o responsável.

As verbas do FCC são geradas com uma percentagem do vencimento dos padres, o produto de um ofertório feito antes do Natal, um terço do estipêndio que os católicos pagam pelas missas pluri-intencionais, ofertas particulares e uma parte de proventos das irmandades.

De acordo com Alberto Nestor, o contributo de cada padre para o FCC é de três por cento de um vencimento de 620 euros. Mas, quando os sacerdotes acumulam várias paróquias e auferem mais do que aquele valor, entregam ao fundo metade do excedente.

Diocese de Aveiro
Diocese de Aveiro

Os salários de referência diferem de diocese para diocese e a de Aveiro será, nas contas do padre Alberto Nestor, a que apresenta valores mais baixos. Ainda assim, o FCC tem que intervir em “bastantes paróquias”, sobretudo as do interior.

Já no Porto, a segunda diocese portuguesa em número de paróquias, o salário de referência dos sacerdotes é um pouco mais generoso já que, segundo o porta-voz diocesano, o padre Américo Aguiar, está fixado em 800 euros.

A “proletarização” dos padres decorre, em parte, do protocolo assinado entre o estado português e a Igreja Católica para tributar os rendimentos obtidos na actividade clerical.

Até ao ano passado, o clero pagava impostos sobre o correspondente a 70 por cento do salário mínimo nacional.

Com a aplicação do novo código contributivo, as taxas subiram para 10 por cento (comissão fabriqueira) e 6 por cento (padre) sobre o salário efectivo, sofrendo novos e consecutivos agravamentos até atingir as taxas aplicadas aos empresários e seus funcionários.

Fonte: Diário de Notícias

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