Banco de Portugal, Regalias, Rendimentos e Esbanjamentos

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Investimentos, regalias e esbanjamentos do Banco de Portugal
Investimentos, regalias e esbanjamentos do Banco de Portugal

Entre privilégios e esbanjamentos, o Banco de Portugal (BdP) ergue-se omnipotente, qual ilha paradisíaca exclusiva, para os afortunados que têm a sorte de arranjar, por ali, um “tacho” dourado.

É um nicho isolado que contrasta com a paisagem do país onde se insere, país em crise profunda, com empresas carentes e decadentes, vitimas da austeridade. Portugueses empobrecidos vitimas do desemprego, dos cortes nos direitos, dos cortes nos benefícios e aumento dos impostos, taxas e preços.

Mas o governo achou que o BdP merecia mais benefícios, e pouco antes de sair a lei que obrigava os portugueses a perder os subsídios, o governo providenciou para que o Banco de Portugal ficasse de fora.

Por entre os muitos privilégios, abaixo listados, do BdP, encontra-se mais este recém adquirido, é o número 19 na lista.

Os privilégios e despesismo do BdP, prolongam-se numa lista longa, ridiculamente ofensiva, citada em seguida:

Complexo do Carregado
Complexo do Carregado

1 – Usufruem de uma Quinta da Fonte Santa, em Caneças, para festas de aniversário dos funcionários ou filhos e para convívios com amigos, serve ainda para aprenderem equitação etc. Tem piscinas e áreas de desporto, tem um picadeiro para utilização dos seus colaboradores e familiares. No site oficial da instituição, apenas são referidas as instalações de Lisboa (edifícios Portugal e Adamastor), o complexo do Carregado, a filial do Porto e ainda alguns delegações regionais de agências. A quinta não consta, mas é propriedade do banco e usam-na para privilégios típicos do imperialismo, nada comuns em empresas que não usem dinheiro do estado;

2 – Usufruem de uma piscina no interior do complexo do Carregado, onde é produzido o dinheiro. Piscina para uso dos funcionários.  São reservatórios de água para o caso de haver incêndios, e dado que há vários reservatórios, um pode ser usado como piscina;

3 – Dão-se ao luxo de produzir filmes para suporte de reuniões e formação no valor de 166,5 mil euros;

4 – Gastam mais de cinco mil euros para pagar carrinhos de golfe. Para ajudar “pessoas com dificuldades de locomoção”. Esta foi desmentida;

5 – Gastam exorbitâncias em telecomunicações. Em Janeiro de 2010, o BdP celebrou contrato de prestação de serviços de telecomunicações móveis, pelo período de 2 anos, no valor de 765 mil euros.  Ora, sendo este montante relativo a 730 dias, conclui-se, sem mais, que o BdP gastou, em média, nos anos de 2010 e 2011, mais de mil euros por dia;

6 – O Banco de Portugal pagou 10 mil euros por uma obra de Fernanda Fragateiro. Numa altura em que o país está sob ajuda externa, o banco decidiu dar um contributo às artes;

7 – Alugam espaços para festas, quando têm vários espaços do próprio banco? Quase 100 mil euros para o Hotel da Praia para realizar um evento junto ao mar. Apesar de ter uma sede gigante na avenida Almirante Reis (Lisboa), ter a quinta de Caneças, etc  parece não ter espaço suficiente para realizar eventos;

8 – Gastaram 7 mil euros para as agendas do banco? Confirme, no site do governo, quanto custaram as agendas do Banco de Portugal para o ano de 2012. Mas em 2011, gastaram mais ainda, foram 15 mil euros de agendas;

9 – O Banco de Portugal decidiu gastar 35 mil euros a explicar, num filme, “A Vida da Nota“;

10 – O Banco de Portugal realizou um contrato de 48 mil euros para o aluguer de autocarros, com motorista, durante um ano.

autocarros
Contratos para aluguer de autocarros com motorista

O Banco de Portugal (BdP) todos os meses precisa de autocarros de turismo com condutor. Em Novembro foram efectuados dois contratos: 1.320,00 euros + 240,00 euros. Em Dezembro houve menos passeio e “só” gastou 725,00 €.

11 – A 19 de Outubro, o Banco de Portugal adjudicou uma auditoria no valor de 533 mil euros. Menos de 4 semanas depois, era a vez de pagar outra auditoria no valor de 2,2 milhões de euros;

Em causa estavam os testes de stress aos 8 maiores bancos nacionais. Serão os próprios bancos a pagar a conta. O contrato foi assinado pelo Banco de Portugal pela “urgência imperiosa”.

12 – Numa assinatura de um jornal estrangeiro, gastam mais uma boa fatia de euros. Parece que no Banco de Portugal todos os colaboradores são obrigados a ler o Financial Times de uma ponta à outra. Só assim se pode justificar os 15 mil euros gastos na assinatura anual do jornal;

13 – Recorde-se que alguns dos subsídios financiam a compra de livros e computadores, no valor de 1000 euros/ano por funcionário. Previu-se a extinção desta regalia em 2012;

14 – O BdP inclui ainda um beneficio original, apoios financeiros para compra de colchões ortopédicos;

15 – Apoios financeiros para ginástica correctiva! Também muito comum nas empresas;

16 – Empréstimo até 180 mil euros, com juros bonificados para primeira e segunda habitação;

17 – Apoio infantil tem um subsidio para as crianças em idade escolar;

18 – Oferece mais 25 dias de férias a que podem somar mais 5 em função da antiguidade;

19 – Foram pagos subsídios de férias e de Natal a todos os funcionários. Na resposta, o banco explica que as “medidas de contenção salarial consignadas na Lei do Orçamento de Estado para 2011 e para 2012 não entraram em vigor no Banco de Portugal porque este se rege pelo Código do Trabalho e pelas convenções colectivas em vigor”;

O banco recorda que o parecer emitido pelo BCE em Novembro, a pedido da Assembleia da República, refere que o estado se deve abster de impor restrições de natureza salarial, ou outra que retirem ao banco central o seu poder de organização interna ou que afectem a sua capacidade de recrutamento ou de retenção de pessoas com as qualificações profissionais para desempenharem as missões que lhe competem, no âmbito do Sistema Europeu dos Bancos Centrais.

subsidios
Devolução dos subsídios de férias e de Natal

No comunicado o banco diz-se ainda preparado para decidir sobre a suspensão do pagamento dos subsídios de férias e de Natal aos seus trabalhadores, desde que “os órgãos de soberania competentes adoptem disposições legislativas que o autorizem a fazê-lo, e após a indispensável consulta ao Banco Central Europeu”.

O Banco de Portugal devolve pensões com juros de 4%. Cavaco Silva, Manuela Ferreira Leite e Octávio Teixeira estão entre os beneficiados por decisão judicial.

O Banco de Portugal vai devolver os subsídios de férias e de Natal relativos a 2012 a todos os reformados da instituição, incluindo às várias dezenas de ex-governantes e economistas.

20 – O Banco de Portugal contratou, por ajuste directo sem consulta a outras entidades, dois escritórios de advogados para processos judiciais, no valor de 1,3 milhões de euros (650 mil euros cada um): a sociedade de advogados Sérvulo & Associados e a sociedade Vieira de Almeida & Associados. Foi ainda realizado um contrato de 193 mil euros com o escritório Simões Correia Associados;

21 –  Já em 2003 os luxos eram ofensivos, segundo este artigo no Correio da Manhã:

“O tempo é de crise, mas “o apertar do cinto” passa ao lado do Banco de Portugal. A autoridade de supervisão, que tem apelado à moderação salarial na Função Pública, renovou este ano parte da sua frota automóvel composta por 66 veículos.

O governador, Vítor Constâncio, teve direito a um BMW de 67.400 euros. Para dois administradores foram um Saab no valor de 37 mil euros e um Volvo de 36.730 euros.

Renovação da frota automóvel governamental
Renovação da frota automóvel governamental

Até o motorista do governador teve direito a um carro pessoal. Um Peugeot 206 com um valor de 11 mil euros. A frota de automóveis do banco central costuma ser renovada de três em três anos. Em 2003, a crise fez com que fossem apenas adquiridos sete novos carros, bem menos do que aconteceu em 2002, ano em que o banco comprou 20 novos veículos.

Dos 66 automóveis que compõem a frota do Banco de Portugal, uma dezena pertence ao chamado “serviço geral” e os restantes 56 estão entregues individualmente.

Daquele parque automóvel fazem parte, entre outros: 17 BMW, 12 Mercedes, 7 Audi, 7 Volkswagen, 5 Volvo e 2 Saab.

22 – Salários e reformas douradas no Banco de Portugal

O conselho de administração do Banco de Portugal, composto por seis membros, que auferem salários anuais de 1,596 milhões de euros anuais, uma média de 266 mil euros por ano para cada.

A este valor médio de 266.000,00 euros por ano, acresce: cartão de crédito para despesas de representação, telemóveis, viagens, carro topo de gama com motorista e segurança privada a tempo integral, etc,.

A estas benesses, acresce também o facto destes senhores, no fim do mandato no Banco de Portugal, terem “direito” a uma pensão de reforma integral, mesmo que só tenham passado 4 ou 5 anos no cargo. Uma reforma dourada que não é acessível a mais nenhum outro contribuinte português.

Em seguida apresentamos a lista de pessoas e rendimentos do Banco de Portugal:

Vítor Constâncio
Rendimentos em 2006 – 282.191,00 euros;

José Agostinho Martins de Matos
Rendimentos em 2005 – 244.536,00 euros;

Pedro Duarte Neves
Rendimentos em 2006 – 254.586,00 euros;

José Silveira Godinho
Rendimentos em 2005 – 364.184,00 euros (Salário de administrador do Banco de Portugal + pensão Banco de Portugal de 139.550,00 euros);

Manuel Sousa Sebastião
Rendimentos em 2006 – 226.081,00 euros;

Vítor Manuel Pessoa
Rendimentos em 2006 – 225.240,00 euros (  Salário de Administrador do Banco de Portugal + pensão de 30.101,00 euros )

Em comparação com outros países, temos que nos EUA, o presidente da Federal Reserve BoardBen Shalom Bernanke, que tem formação académica na Universidade de Havard, Massachussets Institute de Stanford, New York University, Princeton University, entre outras mais, ganha miseravelmente uns 126.938 euros anuais.

23 – Analisando as despesas mais recentes do Banco de Portugal, constata-se que a instituição está mais próxima de uma agência de turismo e lazer do que de uma entidade de supervisão financeira. Aqui ficam alguns exemplos:

notas euro
Quantia de dinheiro financiado para instituíções

– 12 mil euros para ficar nos hotéis Tivoli;

– 25 mil euros para viagens;

– Mais de 44 mil euros para outros serviços de viagens (Fundo Social Empregados do Banco de Portugal);

– E mil euros para aluguer de autocarros de turismo (700 euros + 300 euros).”

Alguns carros que acabaram de ser comprados em 2013:

Mercedes E 250 Blue EFFICIENCY Classic (38.406,48 euros);

BMW 520 d Berlina (38.763,93 euros);

Mercedez Benz E 220 CDI Blue EFFICIENCY (40.119,03 euros);

BMW 520 d Berlina (32.256,10 euros);

Mercedes 320 d Touring (40.851,22 euros);

BMW 320d Efficient Dynamics Touring (32.382,11 euros);

Lexus IS 300h (40.218,86 euros);

BMW 320d Touring (38.382,12 euros).

Se não é sustentada com dinheiros públicos, estranha-se tanto luxo. Nenhuma empresa, para além das sustentadas pelo estado, tem por hábito distribuir luxos e esbanjar desta forma insustentável. Creio que ninguém conhece uma empresa em Portugal que tenha condições para privilegiar, desta forma, os funcionários, sem ser ruinoso ou sustentado por dinheiros públicos.

É, indubitavelmente, um albergue criado e aperfeiçoado para servir de “incubadora ou reserva” (citando o expresso) de economistas que intercalam poleiros entre empresas públicas e a Politica. Os nomes que já passaram pelo BdP e pela Politica, intercalando num e noutro, é uma lista infindável segundo a revista do Expresso.

É o local ideal para colocar a elite de amigos, os militantes, os protegidos e oferecer tachos. Tem todas as condições garantidas para fazer qualquer funcionário feliz.

Compete especialmente ao Banco de Portugal velar pela estabilidade do sistema financeiro nacional. Assim, o banco exerce a supervisão prudencial das instituições de crédito, das sociedades financeiras e das instituições de pagamento.

oferta de produtos e serviços financeiros
Oferta de produtos e serviços financeiros

O Banco de Portugal exerce também a supervisão da actuação das instituições na relação com os seus clientes – supervisão comportamental. Neste âmbito, o Banco de Portugal intervém no domínio da oferta de produtos e serviços financeiros – para que as instituições actuem com diligência, neutralidade, lealdade, discrição e respeito no relacionamento com os clientes – e também ao nível da procura de produtos e serviços – estimulando e difundindo informação junto dos clientes bancários, promovendo uma avaliação cuidada dos compromissos que estes assumem e dos riscos que tomam.

O Banco de Portugal produz estudos e análises da Economia portuguesa, da Economia da área do euro e do seu enquadramento internacional e dos mercados e sistemas financeiros.

Paulo Morais afirma:

“O Banco de Portugal é outra central de corrupção. Pois no seu conselho executivo tem pessoas da banca privada!!

Nos países decentes são os bancos centrais que supervisionam a banca privada, em Portugal é o oposto. Pois a banca privada está dentro do próprio BdP a decidir sobre os interesses dos bancos privados. Como é o caso de Almerindo Marques, ligado ao BES e faz parte do conselho consultivo do BdP.

Ou ainda o caso de António de Sousa, que era a figura máxima na representação da banca privada e tinha também poder no BdP.”

Chegada a hora de avaliar o seu desempenho, ao fiscalizar a banca, não passou despercebida a inércia que exibiu perante o regabofe que se desenvolvia no BPN. Ou ainda no caso do BPP.

Não soube, ainda, prever ou evitar que os portugueses tenham “vivido acima das suas possibilidades”, como tem sido impingido, sucessivas vezes, pelos políticos, acusando os portugueses de usar e abusar dos empréstimos bancários, como se fossem os portugueses a ter que perceber o impacto desse comportamento na Economia e finanças do país e não o Banco de Portugal ou o governo a regular os agiotas da banca, como se fossem os portugueses a ter que colocar um travão nisso, e não o BdP.

Permitem o empréstimo de dinheiro com base em usura e vícios gananciosos e insustentáveis, fingindo não saber que esta situação enriquece a banca e empobrece os países, como está, aliás, já a acontecer.

NOTA: Foram consultados para este artigo o site do BdP, o site do governo, o  site do sindicato dos bancários, o “Má Despesa Pública” e o artigo da revista do Expresso «O fim do último oásis?», e o resumo do artigo do Expresso.

Fonte: JornalQ

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