Como se forma a Crise da Dívida segundo Ivo Margarido

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crise económica
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Os países mais industrializados do mundo enfrentam uma grande crise da dívida provocada pela crise do crédito de 2008, após a crise das hipotecas imobiliárias e a queda do Lehman Brothers. Estas crises originadas por um colapso do crédito costumam ser muito mais prolongadas e profundas que as crises desencadeadas por um surto inflacionário. Grande parte do mundo enfrenta este “tsunami” da dívida à beira da bancarrota, como acontece com GréciaIrlanda e Portugal. No entanto, podemos falar de bancarrota quando estes países possuem enormes riquezas em capital humano e recursos produtivos?

De acordo com o actual sistema financeiro, sim. E é por isso que os serviços públicos estão a ser cortados e os bens públicos privatizados.

Ao contrário da crença popular, o dinheiro que circula pelo mundo não é criado pelos governos, mas sim pela Banca Privada sob forma de empréstimos, que são a origem da dívida. Este sistema privado de criação de dinheiro tornou-se tão poderoso nos últimos dois séculos que passou a dominar os governos a nível mundial. No entanto, este sistema contém em si a semente da sua própria destruição, sendo o que presenciamos na actual crise: assistimos à destruição do sistema financeiro tal como conhecemos, dado que não existe qualquer tipo de saída pelas vias convencionais. Considerando os níveis colossais da dívida, tornou-se impagável.

O colapso económico está iminente

Colapso económico

Para compreender isto, há que referir que o sistema financeiro tem funcionado sempre como um gigantesco esquema “ponzi”, onde os novos devedores permitem manter a velocidade do crédito. Se se produz um colapso dos novos devedores, o sistema fica sem a opção de conceder mais crédito e, à medida que esta opção se cristaliza com o tempo, o sistema inteiro entra em colapso e requer injecções de liquidez na esperança de que os fluxos voltem à normalidade. A habituação do ADN colectivo à dependência do crédito produziu este retorno à normalidade durante várias décadas. Mas até o ADN acusa fadiga e nesta co-dependência ao crédito, recorda os sintomas da escravatura: é a escravatura da dívida.

Este sistema foi criado há muitos anos, com a intenção de controlar “as massas”, mantendo-as escravas de um sistema que nunca lhes permitirá gozar de propriedade plena, ainda que a esmagadora maioria das pessoas trabalhe a vida inteira com essa intenção.

Urge tomar consciência de que a principal responsabilidade recai sobre as Instituições Bancárias (protegidas pelos Estados), e contestar quaisquer acções intimidatórias e execuções.

Estamos a um passo de criar jurisprudência. Eu [o autor] decidi enfrentar 2 intituições com esse propósito e não baixarei os braços até conseguir vitória. Está na hora de condenar os responsáveis e levá-los a indemnizar quem prejudicaram. Naturalmente, também devemos questionar a legalidade dos contratos de crédito, partindo do pressuposto que os Bancos devem prestar um serviço, no caso, proceder ao empréstimo de dinheiro que supostamente têm nos seus cofres e só assim podem ser remunerados. Ora, conforme tivemos a oportunidade de analisar, os Bancos criam dinheiro a partir do nada, cobrando juros por dinheiro que nem sequer existe.

Atendendo a que o sistema monetário de reservas fraccionarias não permite garantir as poupanças que os depositantes confiam aos Bancos, também aqui estão em causa os regulamentos e contratos inerentes às contas poupança.

Dinheiro

Conforme demonstrado anteriormente, o dinheiro dos depositantes não está no Banco

Considerando o exemplo apresentado em «Como é criado o dinheiro a partir do nada?», para um depósito de 10.000€ é criada uma reserva de apenas 200€. Inútil referir que se todos os depositantes se dirigissem, ao mesmo tempo, aos seus Bancos com vista a levantar o seu dinheiro, seriam confrontados com a “dura” realidade de que apenas alguns conseguiriam proceder ao levantamento efectivo de dinheiro.

A nacionalização criminosa do BPN também foi efectuada com o intuito de impedir que o mecanismo de reservas fraccionarias fosse exposto “à luz do dia”, o que provocaria uma corrida aos levantamentos. Certamente muitas pessoas ouviram alguns Governantes (nomeadamente José Sócrates) afirmar que a nacionalização visou prevenir riscos sistémicos. Que cada um se questione e se interesse um pouco mais pelos assuntos políticos, pois a maioria dos portugueses simplesmente abandonou as suas vidas ao permitirem que outros decidam por si.

Temos reguladores que não funcionam e fazem parte de um Grupo organizado que promove e apoia o saque do país e dos cidadãos; de um ponto de vista ético e daquelas que seriam as supostas obrigações de um estado enquanto pessoa de bem, promovem-se os incompetentes.

Basta analisar o caso do Sr. Vítor Constâncio; Em 2010, ano em que errou nas previsões macroeconómicas, acompanhou o Governo Português na negação da crise mundial e falhou na regulação bancária, ao actuar tardiamente nos casos BPN e BPP, que custaram aos contribuintes portugueses um montante superior a 9.500 milhões de euros.

Vítor Constâncio

Em acelerada perda de credibilidade no país, Vítor Constâncio foi nomeado vice-presidente do Banco Central Europeu, num mandato que durará oito anos e onde é responsável pela supervisão bancária.

O que dizer ainda do exemplo do Sr. Eduardo Catroga que ajudou a negociar o memorando da Troika e que posteriormente foi promovido para a EDP, cuja privatização tinha acabado de ocorrer? São numerosos os casos como este.

Nenhuma medida política resultará enquanto o actual sistema monetário vigorar

O actual sistema monetário exigindo um crescimento perpétuo, levanta naturalmente outras questões que remetem para a sustentabilidade do planeta. É óbvio que a sede de poder e controlo das “Elites” também acabou por originar outros problemas de difícil resolução.

Ou procedemos a uma profunda reforma do actual sistema ou continuaremos a alimentar um sistema que apenas contribui para a aniquilação das economias e por consequente das pessoas e do próprio planeta. É simples, o dinheiro não poderá continuar a ser um negócio e se o for deverá ser com regras lógicas e que não provoquem escassez. São factos matemáticos.

Estão a ser cometidos crimes contra a humanidade quer em Portugal quer na Europa e por esse Mundo fora. Assistimos de forma totalmente impune ao desrespeito dos cidadãos, dos seus direitos e das próprias Constituições.

No passado, dois Presidentes dos Estados Unidos propuseram imprimir dinheiro que seria emprestado sem juros e começaram a implementar esse sistema de forma gradual. Um era Abraham Lincoln e o outro era John F. Kennedy. Ambos foram assassinados.

Abraham Lincoln

A ideia de que um Banco só é viável cobrando juros é falsa. É uma ideia cómoda para os bancos do sistema capitalista (o nosso), pois permite que Bancos e investidores possam ganhar dinheiro a partir de dinheiro; não só com os empréstimos, mas também com outras aplicações financeiras. Nada se diz, no mundo ocidental, acerca de outros sistemas bancários.

Mas existem e funcionam. De facto, existe um sistema bancário baseado numa ideia simples e contrária: não se pode ganhar dinheiro a partir de dinheiro. Por outras palavras: os juros não são permitidos. Este é o sistema islâmico.

A actividade dos Bancos ocidentais, para além de ser a mais lucrativa e mais destrutiva do
planeta, é criminosa.

O sistema está massivamente falido e só resiste porque as pessoas são forçadas a aceitar cheques e cartões de crédito enquanto “dinheiro”, quando, na realidade, são apenas dados informáticos sem nada para os justificar.

A forma como a vasta maioria do “dinheiro” é posto em circulação (principalmente através de crédito concedido por Bancos Privados que emprestam dinheiro que não existe e que cobram juros pelo mesmo), revela que a maior parte do “dinheiro” utilizado para ser trocado por bens e serviços foi criado como dívida. É totalmente insano; é por isso que as já avultadas dívidas crescem a cada minuto que passa.

Os “booms” económicos (quando a produção e o consumo aumentam), dão origem a mais empréstimos pelos bancos para potenciar ainda mais o consumo. Assim, nos “bons tempos” da Economia, as quantidades colossais de crédito gerado conduzirão inevitavelmente às épocas ruins, conhecidas por “depressões”.

Bank of America

Grande parte da desregulamentação financeira promovida desde os anos 80 consistiu em dar aos bancos a maior das liberdades para o montante das suas reservas. Deste modo, a clássica norma de reservas em torno de 10% ou 20% foi reduzida a níveis de 1%, e mesmo inferiores, como aconteceu com o Citigroup, Goldman Sachs, JP Morgan e Bank of America, que, nos momentos mais sérios, afirmavam ter uma taxa de encaixe de 0,5%, com o qual o multiplicador (m=1/0,005) permitia criar 200 milhões de dólares com um só milhão em depósito. E no período da bolha, as reservas chegaram a ser inferiores a 0,001%, o que indica que por cada milhão de dólares em depósito real, se criavam 1.000 milhões do nada.

Esta foi a galinha dos ovos de ouro para a banca. Uma galinha que era de todas as formas insustentável e que foi assassinada pela própria cobiça dos banqueiros que se aproximaram do crescimento exponencial do dinheiro até que entrou em colapso, demonstrando que toda a ficção se asfixia na conjectura e nada é senão o que é. A solução que os bancos centrais ofereciam era muito simples: mal havia um aumento da inflação, elevavam a taxa de juro para assim encarecerem o crédito e bloquearem os potenciais novos empréstimos (cortando, desta forma, potenciais novos empréstimos) e incentivando, a taxas mais altas, o “aforro” seguro dos prestamistas.

Como são os Bancos que detêm o controlo sobre a criação do “dinheiro”, através dos empréstimos decidem se vai haver um “boom” económico ou uma depressão aumentando ou diminuindo a quantidade de “dinheiro” que emprestam às pessoas. A diferença entre crescimento e depressão reside na quantidade de dinheiro vivo ou crédito disponível para fazer compras.

O sistema bancário sendo controlado pela “Elite Global” (um pequeno grupo privilegiado de pessoas), essa mesma “Elite” controla a Economia de cada país e influencia as decisões dos “líderes” políticos e económicos que, ou não entendem como o sistema bancário e a criação de dinheiro realmente funcionam (a maioria), ou trabalham conscientemente com os que controlam o sistema, favorecendo-os e sendo compensados por isso.

Entende-se agora o abismo em que estamos e por que razão Governos e Bancos Centrais correm a tapar esses enormes buracos que o dinheiro falsamente criado deixou?

FED

Entende-se por que razão o FED e o BCE correm a resgatar o lixo dos activos tóxicos criado neste tipo de operações?

Apesar da óbvia insanidade deste “roubo legalizado”, as nossas mentes ainda permanecem fortemente formatadas e condicionadas para sustentar a ideia de que a cobrança de juros é essencial e que sem esse conceito a Economia mundial colapsaria. Não é bem assim. A ditadura Bancária global orquestrada pela “Elite Global” é que colapsaria.

O sistema de pagamento de juros não protege a humanidade. Na verdade, é esse sistema que cria pobreza, desigualdade e permite a acumulação do poder global.

Devemos constantemente questionar-nos:

Quem é que este sistema beneficia?

Da mesma forma, sempre que um político, economista, líder de igreja, jornalista, comentador ou qualquer outra pessoa, tente incutir uma ideia, vale a pena perguntar: Quem beneficia com o facto de eu acreditar na ideia que me “vendem”? A resposta sempre conduzirá ao motivo pelo qual a referida ideia está a ser alimentada e consequentemente a quem a alimenta.

Nota final:

Por ano, o Estado Português gasta muito mais com juros do que propriamente com educação.

Uma vez percebido este sistema não surpreende que o Estado social esteja a ser destruído.

Fonte: 

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